quinta-feira, dezembro 29, 2005

Recesso

Seguinte: esta padaria volta a funcionar no ano que vem.

A partir do dia 2 vou colocar aqui a minha lista dos melhores e piores de 2005 (músicas, filmes, etc). Aguarde!

Última 'piada' de 2005

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Mensagem de Fim de Ano

O ano acaba e todo mundo dana a enumerar resoluções que nunca vão cumprir. Parar de fumar e começar uma dieta são clássicas. Economizar dinheiro, entrar para uma academia e mandar para o espaço um noivado ou namoro estagnado também são comuns. Problema maior do que prometer que vai fazer isso tudo e depois culpar a rotina, o trabalho e o governo por não ter movido uma palha nesse sentido é o egoísmo das resoluções. É tudo eu, eu, eu (ou melhor, você, você, você). Já caducou a época em que se desejava promover a união dos povos e a paz mundial.

Então, contrariando todo o estereótipo que nós, publicitários, levamos décadas para construir, vou dar 5 preciosas dicas de resoluções para 2006. São pequenas atitudes que podem melhorar sua vida. Se não melhoram sua vida, melhoram o mundo. Se nem isso, pelo menos valeu a intenção.

1 – Respeite tudo o que tem vida

Você é o único animal sobre a Terra que mata por prazer. Pense nisso na hora de matar uma barata. Lembre também que centenas de milhares delas vão sapatear sobre sua cova no caso de uma hecatombe nuclear. Não maltrate os animais. Eles são os verdadeiros donos do mundo. E por mais selvagens, ameaçadores, imprevisíveis e aterrorizantes que possam ser, você é, de longe, muito mais perigoso.

2 – Valorize somente o que merece ser valorizado

Dinheiro tem o seu valor, mas não corra atrás dele como se fosse a oitava maravilha do mundo. Valorize o que te faz bem, o que te deixa feliz. Valorize o que ninguém vê, o que é pequeno, quase insignificante. Dê valor ao que te interessa. Mesmo que as coisas que te interessam sejam grandes besteiras.

3 – Encare a natureza com outros olhos

Os recursos naturais estão com os dias contados. É lógico que não vão acabar amanhã, mas se você parar de pensar um pouco no seu umbigo e se esforçar para visualizar o mundo no qual seus netos e bisnetos vão viver, vai perceber que o dia-a-dia deles não será fácil por sua causa. A árvore que você manda derrubar da sua calçada vai fazer a maior falta em 2054. Os litros d’água que você desperdiça enquanto lava seu carro, também. Plante uma muda em 2006. Se não puder, cultive uma samambaia e regue um vaso de plantas. Em último caso mije na grama, mas faça alguma coisa!

4 – Dê uma chance ao novo

Abra sua mente para novas e enriquecedoras experiências. Você não precisa deixar de lado o que já conhece e gosta. Mas é fundamental aposentar a mesmice e ventilar os neurônios com informações sempre fresquinhas. Veja filmes europeus, coreanos, iranianos. Ouça músicas novas todos os dias. Leia tudo o que pintar na sua mão. Ande de montanha-russa com os olhos abertos. Enfrente as ruas sem medo das surpresas que podem aparecer ao dobrar a próxima esquina. Isso só não vale se você mora no Rio de Janeiro, é claro.

5 – Pare de procurar o sentido da vida

Cá pra nós: este mundo é um tanto quanto idiota. Ou melhor, é bastante idiota! Não adianta decifrar os códigos, comparar fatos, tecer teorias, inventar deuses, se abismar com coincidências e tentar entender a cabeça das mulheres. O melhor é desencanar e rir de tudo.

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Siga estas singelas dicas à risca e faça do seu 2006 um ano muito mais feliz. Ah, e vê se para de fumar e começa logo a queimar essa pança na esteira de alguma academia...

terça-feira, dezembro 20, 2005

Homossexacionalismo


E lá vem a Veja com mais uma capa sensacionalista. Lembram das do Cazuza e Cassia Eller? É, de vez em quando baixa uma Contigo ou um Super Pop na revista semanal com o rabo mais preso do país.

E no título da matéria ainda dizem que a Ana Carolina 'saiu do armário'. Só se ela entrou de novo e não avisou a ninguém. Até o mais desavisado sabe que o armário da menina nunca teve porta. Mas, e daí se ela é bi? O Ronaldinho Gaúcho também é, e ninguém tem nada a ver com isso!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Trocadalho

Depois que Tati Quebra-Barraco (discípula de Cecília Meireles, encarnação de Cora Coralina) revelou em versos que “Dako é bom”, a obscura marca de eletrodomésticos ganhou mídia involuntária. Mas se o slogan-trocadilho-obsceno “Dako é bom” (segundo Tati, que fique bem claro) pegou no circuito da baixaria carioca, não vai demorar pra aparecer um contra-slogan, patrocinado pelos que não são nem um pouco chegados em Dako.

Eu sugiro a promoção de uma outra marca, essa especialmente batizada para dar o troco nessa mania de Dako que tomou conta dos bailes funk e coberturas da Barra. Não é bem uma concorrente, já que fabrica aquecedores, mas tem tudo para esquentar a briga com a marca do fogão da Tati.

Afinal, se “Dako é bom”, “Komeco é muito melhor”.

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Falando em funk, estreou semana passada o documentário Sou feia mas tô na moda, que vi no Festival do Rio. Vale à pena ler a ‘crítica’ que escrevi na ocasião. É só clicar aqui.

Tá explicado

Muito trabalho + Garganta inflamada x Falta de saco – Assunto + Preguiça = Abandono de blog.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Abaixo a queimada

Na propaganda gratuita do Partido Verde, depois das imagens do Gabeira batendo de frente com a mula do Severino, o Alfredo Sirkis manda essa: “A nossa insignificância significou a derrota do atraso e da corrupção na Câmara”.

Político é tudo igual mesmo. Seguem a máxima do Chacrinha, que veio “para confundir, não para explicar” (ou algo parecido).

Decifrando a intenção por trás de suas palavras, a frase do Vereador afirma que o PV teve alguma responsabilidade na queda do abestado ex-Presidente da Câmara dos Deputados. Mas, se eu me lembro bem, o fidumaégua caiu mesmo por causa do “mensalinho”.

Respeito o PV (um partido que tem como bandeira a preservação do meio ambiente não deve ser tão ruim), o Deputado Gabeira, e mais ainda aquela sua atitude de peitar o gigolô de cabritas em plena sessão.

Mas usar de demagogia e falácia só vai é queimar o Verde do Partido, Sirkis. Até a última ponta.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

A morte lhe cai bem

Eu sei que sou crítico ao extremo quando comento assuntos ligados à propaganda. É um mundinho que eu conheço bem. Conheço os vícios, as intenções, os podres, os egos, as características, a linguagem, as técnicas, as armações e pelo menos mais uns 564 motivos para falar mal.

Mas nem tudo é coisa que gato enterra nesta profissão. Tem muita gente criativa e inteligente no ramo, desenvolvendo campanhas que vendem e que não são apenas alegorias vazias ou ‘uma sacada do caralho’. É o caso do pessoal que responde pela conta da Sinaf Seguros.

Nós, brasileiros, somos filhas-da-puta natos. Adoramos fazer piadinhas de mal gosto com assuntos considerados delicados. Gostamos de discutir tabus na mesa do bar, de sacanear o próximo na hora errada, de subverter valores. Transformamos o macabro e o proibido em elementos lúdicos, e nos distanciamos do que eles realmente representam para podermos entendê-los, ou mesmo para conseguirmos conviver com eles.

Só isso mesmo para explicar o sucesso da comunicação da Sinaf. Pra quem não conhece, é uma empresa que vende planos de assistência funeral. Seguros, de uma forma geral, são produtos meio delicados de vender via publicidade. Imagine a dificuldade que é persuadir pessoas a pagar por algo que elas esperam não ter que desfrutar nunca. Pois o pessoal da agência Carioca meteu o dedo na ferida. Logo nas primeiras peças – outdoors -, estamparam fotos de idosos e, ahm, digamos, pessoas ‘exóticas’ ao lado de frases bem humoradas. Todas fazendo graça com aquela que é única certeza que temos na vida: a morte. “Nossos clientes nunca voltaram para reclamar”, “Não é justo você ir para o céu e sua mulher para o SPC”, “Seguro de vida Sinaf: você vai dar graças a Deus. Pessoalmente” e “Cremação: mais uma novidade quentinha” foram algumas das frases mais legais e que deram conta do recado na campanha. Depois vieram os filmes. Em um, o defunto era jogado pra cima no velório, enquanto seus amigos e familiares cantavam "fulano é bom companheiro, ninguém pode negar!". No outro, uma viuva baranga era assediada por um garotão em pleno velório (o cara chegava até a dar uma buzinada na buzanfa da coroa).


O painel da foto foi afixado próximo ao elevado Paulo de Frontin, local com trânsito de carros intenso a qualquer hora do dia ou da noite.

A ousadia chamou a atenção de todo mundo. Muita gente discutiu ética, criatividade, adequação e o escambau. Até a imprensa deu cartaz para a polêmica campanha. Só sei que o tal plano deve ter vendido que nem flôr em porta de cemitério. Prova disso é que a campanha continua nas ruas até hoje, sempre com novas frases da mais fina ironia e da mais grossa cara-de-pau.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Quem é ruim, é ruim até dormindo

Segue abaixo a chamada de uma matéria que saiu hoje no Globo Online:

Marcelo Itagiba classifica de 'falsa apologia' hipótese de traficantes terem matado os responsáveis pelo ataque ao ônibus e defende prisão perpétua para criminosos irrecuperáveis.
Se o criminoso é irrecuperável, ou seja, nem lavagem cerebral à la ‘Laranja Mecânica’ pode dar jeito no infeliz, porque manter o maldito preso, gastando o meu, o seu, o nosso dinheiro o resto da vida dele? Presídio no Brasil você já sabe como é: celularzinho, maconha a rodo, quentinha na hora certa, visita íntima pra tirar o atraso, pelada aos domingos, churrascão...

Prender um facínora desses até que ele bata as botas de velhice é, respeitadas as devidas proporções, premiá-lo com uma aposentadoria que ele nunca teria se fosse escravo da CTPS.

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Traficantes mataram hoje supostos incendiários do ônibus. Qual das opções abaixo você acha que está correta?:

a) Os bandidos querem desmoralizar a polícia carioca, mostrando que ela não serve pra nada mesmo, já que só trabalha sob demanda e nunca preventivamente;

b) Querem posar de Madre Teresa e mostrar que no fundo daqueles corações de lata existe bondade e respeito ao próximo;

c) De olho na queda do ‘movimento’ na favela ocupada pela polícia, escolheram alguns desafortunados de alguma comunidade próxima e forjaram o ‘acerto de contas’;

d) O desejo do povo é a vontade de Deus.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Esclarecimento

A respeito do que escrevi no último parágrafo do post abaixo, preciso esclarecer: sou RADICALMENTE CONTRA a pena de morte. O processo é demorado, tem julgamento, o cara fica preso anos a fio antes da execução, comendo e cagando dinheiro público. E no final ainda tem direito até de receber extrema-unção. Não, pena de morte não dá.

Sou a favor de algo mais prático: a eliminação imediata desse pessoal que nunca deveria ter nascido. Mas só nos casos em que o indivíduo deu provas concretas de que merece sumir do mapa. Como esses desgraçados que atearam fogo ao ônibus.

Pra quem ignora, despreza, subjuga, maltrata e desrespeita a vida dos da mesma espécie, nessas circunstâncias, esta é a única saída justa: convidá-los a engrossar as fileiras do inferno - que já deve estar lotado de políticos, advogados e bispos da Universal - antes do tempo.

Covardia

Ontem, um bando de traficantes incendiou um ônibus da linha 350, em represália à morte de um comparsa. Agrediram o motorista e não deixaram que os passageiros descessem. 12 ficaram feridos e 5 morreram, dentre eles uma criança de 2 anos.

Gente que voltava pra casa depois de um dia de trabalho. Gente que cochilava no banco ou pensava no que ia preparar para a janta. Gente que estava pouco se fudendo pra comando vermelho, terceiro comando e idiotices do tipo. Gente que só queria ter a chance de acordar no dia seguinte, sem que terroristas sem causa nem propósito cruzassem seu caminho.

Não tenho mais palavras para descrever este absurdo. Só desejo de coração que os responsáveis façam, o mais rápido possível, o check-in no inferno.

terça-feira, novembro 29, 2005

Mais corujas e outras coisas


Passei novamente pelo estacionamento do shopping e tirei mais fotos das minhas amiguinhas emplumadas. Aliás, de uma só. Percebam que na foto acima ela projetou a cabeça para a frente, ensaiando um golpe ninja certeiro no fotógrafo. Expliquei calmamente que só queria fazer uns cliques pra publicar no meu blog, e ela deixou barato dessa vez. Se fosse para a Caras, eu estaria frito.

Sabe, fico meio maravilhado com essas coisas. A ‘vida selvagem’ tentando coexistir com os verdadeiros selvagens, que somos nós. Duas corujinhas que, como sem-tetos, não encontram outra alternativa senão morar num buraco (como tantos outros de nossa espécie, que também habitam verdadeiros ‘buracos’), em pleno templo sagrado do consumo, ícone maior de nossa sociedade capitalista. Duas estranhas no ninho. Se bem que estranho mesmo é aquele shopping, que deve ter desalojado muitas corujas quando foi construído.

Pesquisei rapidamente na web e achei algumas informações sobre essa espécie. O nome não poderia ser mais apropriado: Coruja-buraqueira. Do jeito que ela quase me atacou hoje, tá mais pra 'Coruja-barraqueira' :)

Acabei esquecendo de pegar o endereço do site-fonte, mas vai assim mesmo:


“A coruja-buraqueira possui este nome pois vive em buracos cavados no solo. Embora seja capaz de cavar, vivem nos buracos abandonados de tatus, cachorro de pradaria e tocas de outros animais.

De porte pequeno, a coruja-buraqueira possui uma cabeça redonda, tem sobrancelhas brancas, olhos amarelos, e pernas longas. Ao contrário a maioria das corujas o macho é ligeiramente maior que a fêmea e as fêmeas são normalmente mais escuras que os machos. É uma ave tímida, por isso, vive em lugares sossegados.

Durante o dia ela cochila em seu ninho ou toma sol nos galhos de árvores. Possui uma visão 100 vezes mais penetrante que a visão humana e uma ótima audição. Tem vôo suave e silencioso.

Come pequenos roedores (ratos), insetos e cobras. São aves principalmente crepusculares (ativo ao entardecer e amanhecer), mas caçará, se preciso, ao longo de 24 horas.”

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Aproveito para agradecer aqui ao pessoal que comenta. Não tenho o costume de responder na própria área de comentários, como muitos fazem, porque nunca sei se a pessoa vai voltar ou não para ler a resposta. Mas não tomem isso como falta de educação ou como se eu os ignorasse. Pelo contrário! Gosto bastante quando recebo comentários de vocês. E mais ainda quando vejo que as visitas estão aumentando ‘cavalarmente’.

Então, se você comentou, receba meu ‘muito obrigado’!

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Lembram do Revenge CD, assunto desse post aqui?

Recebi por e-mail este link, onde o dito cujo está disponível para download (arquivo .rar – compactado pelo Winrar).

Para copiar pro seu HD é fácil: quando carregar o site Rapidshare, clique no botão ‘FREE’, quase no rodapé da página. Você vai ser direcionado para uma outra página. Vá novamente para o ‘final’ da página, espere a contagem regressiva terminar e clique no link ‘Revenge.rar’ que vai aparecer.

Aí é só decompactar, ouvir no volume máximo e detonar a vizinhança!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Corujas


Eu trabalho na Barra da Tijuca. Pra quem não é do Rio, eu defino: é um grande nada, cheio de shoppings, centros empresariais, condomínios cafonas e de arquitetura medonha, habitados por gente esnobe e podre de rica (algumas somente podres). É um lugar que não tem historia, tradição, personalidade e nem sombra do espírito carioca. A playboyzada e a peruada reinam absolutos por lá.

Apesar de tudo isso, o bairro que ostenta uma ridícula estátua da liberdade de fibra de vidro não é de se jogar todo fora. A Barra possui uma extensão absurda de praia e recantos verdes que ainda não foram 100% destruídos pela besta-fera humana. Ainda, né. Porque na velocidade em que pipocam os prédios, não duvido que daqui a 20 anos aquilo se transforme no primeiro grande deserto de pedra brasileiro.

Da minha janela na empresa eu vejo o lado bom da Barra: os morros ainda não apinhados de barracos, as árvores ainda não derrubadas pelas construtoras e os pássaros ainda não abatidos por filhinhos-de-papai, apenas por esporte.


Mas no meio de todo esse caos (que, talvez, esteja apenas dentro da minha cabeça), descobri algo inusitado. Há três semanas, estava passando pelo estacionamento do shopping próximo à empresa onde trabalho quando vi as corujinhas das fotos acima. Elas moram em um buraco cavado na base de um muro. Eram quatro, mas um segurança do shopping disse que uma tinha morrido. Disse também que impediu que um imbecil levasse embora uma das bichinhas, que havia acabado de capturar.

Desde então eu tenho tentado fotografá-las. Não foi fácil. Sempre que eu chegava perto demais (o zoom da minha máquina é fraco), elas corriam em fila indiana para dentro da toca. O engraçado é que a maioria das pessoas passam e nem as percebem ali, observando o movimento com aqueles olhões amarelos, atentos a tudo.

Hoje finalmente consegui chegar bem pertinho. Acho que elas estão mais acostumadas com a presença humana. Por um lado isso é péssimo, pois as torna presas fáceis pra manés como aquele que quase engaiolou uma delas. Quando me aproximei, a que estava no chão abriu o bico e até ameaçou um ataque. Mas acho que percebeu que eu estava lá em missão de paz e relaxou. Infelizmente, tem um tempinho que não vejo mais a terceira coruja. Espero que nada de ruim tenha acontecido com ela.

Assim que conseguir mais fotos, vou publicando aqui.

Sem comentários

As moscas já começam a sobrevoar este blog novamente. Vamos espantá-las com este interessante post do jornalista Mauro Ventura, no blog No Front do Rio (Globo Online).

Parte da paisagem

O jornal informa que o roubo a transeuntes bateu o recorde dos últimos 15 anos. Até outubro, foram 29.341 casos em 2005. Imagine se todo mundo resolvesse dar queixa.

Na quarta-feira à tarde, eu vinha de carro pela Avenida Pasteur, em Botafogo, quando, perto da UFRJ, vi dois rapazes se aproximarem de uma moça com mochila e exigirem o celular. Ela entregou, esboçou uma pequena reação, eles deram um passa-fora na moça, e continuaram tranqüilamente sua caminhada. O trânsito estava lento o suficiente para permitir ver a cena, mas rápido o bastante para impedir que se parasse o carro e tentasse ajudar a vítima.

O que mais me impressionou foi a absoluta naturalidade do assalto. Não era aquela cena que a gente imagina de roubo, ainda mais à luz do dia: o ladrão agindo de maneira furtiva, olhando para os lados, dizendo "anda logo" e saindo correndo. Não. Era como se eles estivessem perguntando as horas, indiferentes à multidão que passava pelo local.

A moça tampouco saiu correndo atrás da polícia, gritou "pega ladrão!" ou se afastou às pressas da cena do crime, atrás de uma delegacia para registrar queixa. Não. Limitou-se a fechar a mochila, dar as costas e continuar a caminhada, certa de que ser roubada no Rio é tão parte do cotidiano como o mar, as montanhas, o verão e a propina do guarda.

Sobre a cena descrita acima, posso dizer que já fui protagonista de uma semelhante. 3 vezes. Carioca que é carioca de verdade merrrrmo já foi assaltado pelo menos uma vez, nessa ou em piores condições.

terça-feira, novembro 22, 2005

Qualquer semelhança é mero descaramento

UolKut é o Orkut do Uol, sacou?

Confesso que achei o filme que estão veiculando na TV legalzinho. O Orkut monstro ameaçando a cidade, soltando as irritantes frases 'Bad, bad server' e 'No donut for you', ficou hilário. Essas mensagens de erro do Orkut só não são piores que aqueles odiosos scraps coloridos que sempre travam meu Internet Explorer.

Eu só sou assinante do Uol por pura preguiça de mudar meu endereço de e-mail default, que é o mesmo há uma cacetada de tempo. Sempre tive problemas com esse provedorzinho de merda. Uma vez, quando usava o acesso discado deles, mudaram o número de acesso do Rio de Janeiro e não avisaram que os assinantes deviam baixar uma versão já atualizada do discador. Descaso puro. Por conta disso fiquei um mês sem poder acessar a internet.

Agora eles também têm seu próprio Orkut. O nome UolKut é puro oportunismo. Em vez de desenvolver um produto novo, preferem copiar. E por falar em cópia, veja abaixo onde eles se inspiraram para "criar" a logomarca do bagulho:
Quem levantou essa bola foi o blogueiro Mario AV.

Caos


Essa é do Laerte, grande filósofo dos quadrinhos. Roubei daqui.

segunda-feira, novembro 21, 2005

1 ano

Em um ano acontece muita coisa.

Dá pra construir um prédio inteirinho. Dá pra viajar pro nordeste de mula e voltar de jegue. Dá pra escrever um livro, tipo Doutor Jivago ou Guerra e Paz. Dá pra ver muitos filmes, daqueles que esquecemos logo após a sessão e também daqueles que continuam na cabeça o resto do ano. Dá pra descobrir uma centena de coisas novas e perder tantas outras. Dá pra conceber e dar à luz uma criança. Dá pra largar o cigarro e voltar correndo pra ele feito um idiota. Dá pra mudar da água pro vinho, e vice-versa. Dá pra ver o PT passar de ‘esperança nacional’ para ‘fiasco fenomenal’. Dá pra fazer merda e se desculpar, quantas vezes for necessário. Dá pra sonhar e realizar o sonho.

Hoje, eu e minha namorada completamos um ano juntos. Um ano em que deu pra perceber que, a cada dia, vai ficando mais difícil imaginar a vida sem ela.

Prarabéns pra nós, fofete. E obrigado por me agüentar um ano inteirinho sem reclamar! :)

Em sua homenagem, publico aqui a letra genial de uma das melhores músicas do ano. Uma ode a todas as musas da música!


Todas Elas juntas Num Só Ser
Lenine / Carlos Rennó

Não canto mais Babete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;
Nem a tigreza nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Hebert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema,
Nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato,
E de Layla, de Clapton, eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;
Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;

E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia,
Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! - do mano Xis!

Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,
Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...

Só você...
Mais que tudo é só você;
Só você...
As coisas mais queridas você é:

Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;V
ocê, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Steve Wonder, ó minha parceira.
Você é pra mim o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo Bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser

domingo, novembro 20, 2005

O cachorro mais feio do mundo

Ou melhor, ex-cachorro. Infelizmente, ele morreu ontem, 19/11. Apesar de ter essa cara de zumbí, ele estava vivo. Aliás, se esperasse mais um dia, ele morria no dia de Zumbí dos Palmares (Rá, rá, rá, sem graça...).

A foto aí em cima não é montagem nem ‘photoshop’. O bicho era assim mesmo. Nem se dessem uma manga pra ele chupar, conseguiria ficar mais feio.

Sam era seu nome. Viveu 15 anos e foi eleito em 2003 o ‘cão mais feio do mundo’. Merecido. Ninguém era páreo para ele. Ficou famosão na Internet e sua dona até fez um blog para ele.

Adeus, Sam. Tenho certeza de que o céu dos cães vai te receber com rabinhos abanando de alegria. Só que agora ninguém mais por lá vai conseguir dormir de luz apagada.

terça-feira, novembro 15, 2005

O Rio de Janeiro continua rindo



Lagoa e Parque Lage, dois instantâneos produzidos num feriado ensolarado. Só pra lembrar que a minha cidade é linda, apesar de não ter planejamento, governo, segurança, saúde, educação e nem vergonha na cara.

Versão brasileira

Um dia eu também achei que era compositor. Escrevi umas letras bem bregas. Fazia até as melodias. Fiz até uma versão em português para “I Don´t Want to Wait” da Paula Cole, tema do seriado Dawson's Creek. A série era xarope, mas eu gostava da música. E Paula Cole começou como backing vocal do mestre Peter Gabriel.

A versão ficou bem lapidada. A letra até fazia sentido. Pra ajudar, a original tinha apelo de hit instantâneo. Imaginava vender a música pra um desses cantores da corno-music, tipo Paulo Ricardo. E sonhava ficar rico como aquele Zé-pocilga que compôs o ear-worm ‘Poeiraaaaaa’, da Ivete Sangalo, que infernizou o país por um longo e angustiante período.

A questão é que todo mundo acha que fazer versão de uma música boa, seja ela de sucesso ou não, é garantia de lucro. Tem gente que faz versões de sucessos antigos. Outros fazem versões de seus próprios sucessos. Muitos destroem canções em escala industrial, como os KLBs e Sandyjuniors da vida. Uma pequena parcela fica cavoucando musicas semi-desconhecidas pra dar ‘novas roupagens’ e pagar de autor da obra frente aos menos informados. E nessa sanha para pipocar um sucesso radiofônico, duas cantoras brasileiras acabam de lançar versões distintas para uma mesma canção. Um caso raro de oportunismo simultâneo.

O chupado da vez foi Damien Rice, mais/menos conhecido pela balada ‘The Blower´s Daughter’, do filme Closer, uma balada folk com melodia talhada para o sucesso. Zélia Duncan fez uma versão e deu pra Simone gravar. Resultado: já é tema de um dos principais casais da novela Belíssima. Ana Carolina - cantora de voz potente, porém sem freios – lascou sua própria versão e gravou com Seu Jorge. Não tem estação no dial que não esteja tocando, pelo menos uma vez a cada hora. Para uma melodia que já era assoviável, duas letras fáceis pro netinho e a vovó cantarem sem errar e acenderem os isqueiros nos shows.

Então, quem ganha? ‘Então me diz’ da Simone ou ‘É isso aí’ da Ana Carolina? Ora, quem tiver o jabaculê mais encorpado, é lógico!